Ciclo de Leituras 2016.1

Diálogo e Antítese

A cosmovisão cristã na esfera pública e os desafios do secularismo

Apresentação

Pelo menos desde o movimento neocalvinista, ocorrido na Holanda no final do século XIX e início do século XX, os cristãos reformados têm abraçado a ideia de que o cristianismo é uma verdadeira cosmovisão, com implicações abrangentes sobre todas as esferas da vida, e defendido um ativo engajamento cristão nas diversas esferas da sociedade – inclusive a política, a educação, a arte e a ciência –, em obediência ao seu “mandato cultural”. Esse engajamento cristão, contudo, não pode ser concebido como um envolvimento passivo e acrítico na vida cultural.

O cumprimento do mandato recebido na criação deve levar em conta a realidade esmagadora da queda e o advento glorioso da redenção realizada por Deus Pai, por intermédio de Jesus Cristo, no poder do Espírito Santo. O motivo bíblico da criação-queda-redenção implica a existência de uma divisão radical: de um lado, a raça humana caída em Adão e, de outro, a nova humanidade redimida em Cristo. E, assim como a comunidade humana apóstata caminha segundo o curso deste mundo, também a atuação cristã nas diversas esferas da sociedade deve proceder da sua nova fonte de vida, da sua união radical com Cristo e com os demais remidos.

Se o mandato cultural e o dever cristão de engajamento importam a necessidade de diálogo, a realidade da oposição entre fé e apostasia torna necessário que o crente se mantenha em uma relação de antítese com a cultura mundana. Se, de um lado, o cristão não se pode isolar em uma versão moderna do monasticismo medieval, também não pode aceitar qualquer possibilidade de “casamento” (síntese) entre a fé cristã e a cosmovisão apóstata. A tarefa do crente consiste, pois, em oferecer uma resposta distintamente cristã às demandas culturais de sua própria época, submetendo todas as áreas da vida ao senhorio de Cristo.

Neste primeiro ciclo de leituras do Núcleo Althusius, os participantes terão contato com as leituras fundacionais do neocalvinismo e com as ideias cristãs de cosmovisão e cultura; graça comum e antítese; religião e secularização; e soberania das esferas. O objetivo é dar-lhes o arcabouço teórico necessário para que cada um se dedique à sua própria área do conhecimento a partir dos princípios bíblicos e reformados.

Quando?

O encontro para discussão das leituras ocorre na primeira e na terceira segunda-feira de cada mês, das 17h30min às 18h30min. Para mais informações, verifique o cronograma do ciclo de leituras corrente.

Apresentação inaugural Razão e religião: pode o cristianismo ter espaço no debate acadêmico? Expositor: Vinícius Silva Pimentel, advogado, bacharel e mestrando em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco e comentarista jurídico do site Política Reformada.
Estudos em Herman Dooyeweerd, A secularização da ciência. Link em inglês. Uma tradução em português, feita por um dos membros do Núcleo, poderá ser disponibilizada aos participantes, com fins exclusivamente pedagógicos.

Estudos em Herman Bavinck, Calvino e a graça comum. Link em inglês. Uma tradução em português, feita por um dos membros do Núcleo, poderá ser disponibilizada aos participantes, com fins exclusivamente pedagógicos.

Estudos em Abraham Kuyper, Soberania das esferas. Link em inglês. Uma tradução em português, feita por um dos membros do Núcleo, poderá ser disponibilizada aos participantes, com fins exclusivamente pedagógicos.

Estudos em Klaas Schilder, Cristo e cultura. Link em inglês. Uma tradução em português, feita por um dos membros do Núcleo, poderá ser disponibilizada aos participantes, com fins exclusivamente pedagógicos.

Estudos em Groen van Prinsterer, Incredulidade e revolução. Links em inglês: Palestras VIII e IX (pdf) e Todas as palestras (resumidas por Henry van Dyke) (html). Link em espanhol: Palestra XI. Uma tradução em português, feita por um dos membros do Núcleo, poderá ser disponibilizada aos participantes, com fins exclusivamente pedagógicos.

Palestra de encerramento e apresentação de trabalhos. Preletor: a definir.